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sábado, 18 de outubro de 2008

AUTORA CONVIDADA - PAULA CAJATY


Poesia pra quê?
Paula Cajaty

Poesia para encontrar,
para ouvir, para afundar.
Poesia quando nada mais há
e sobra apenas um fio
de razão para agarrar.
Poesia quando se quer dormir
mas não se acha lugar.
Poesia feito cachaça
bom para tomar no frio
bom para esquecer o fastio
bom para quem se dá.
Poesia feito música
e tocar fundo
e encher o peito
de silêncios
desses sons do mundo
que não páram de tocar.
Poesia feita de palavra
que paira no ar, arteira
quer sair, fugir pela fresta
na beira da fantasia
quer virar verdade
e de algum jeito, qualquer um,
mesmo feito tosca miragem,
existir como a gente.

Eu não faço poesia, Sofia,
é ela quem me faz.

(...) ... (...)

Conheci a Paula pela internet, quando comecei a fazer esse blog. Ela também tem um site dedicado à literatura e à poesia, que já foi referenciado pela Agência Riff e pelos escritores e poetas Marcelo Moutinho, Fernando Molica e Márcio-André.Com um jeito de escrever que me emociona sempre, Paula escreve desde que amou pela primeira vez, como revela na apresentação do seu primeiro livro publicado em setembro pela 7Letras, "Afrodite In Verso". Advogada por formação acadêmica, ela sempre encontrou na literatura um caminho para alcançar seus próprios sonhos e prazeres. Em seus projetos para o futuro, estão a realização de ciclos de palestras com temas voltados para o universo feminino e a exploração de outros formatos literários, como o conto e o romance.

Obrigada Paula, pela linda contribuição!Como você disse no seu site, que alcance sempre o sucesso a literatura de gente que acredita na 'poesia do encontro'.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

AUTOR CONVIDADO - JOÃO LENJOB


Poesia Pra Quê?
João Lenjob

Poesia pra quê?
Para parar no papel o amor que não tem fim
Para parar um pouco com a vida que continua, ou não,
Para deixar lágrimas que não molham ao escrever
(não borram, não embaçam, nem mancham);
Sobretudo poder molhar os olhos de quem lê.

Poesia pra quê?
Para expressar um sorriso que não tem dono (ou terá; será?)
Poesia para juntar forças ou talvez separá-las
Para montar um quebra-cabeça ou desmontá-lo
(ou apreciar ou ficar com preguiça até de olhar)
Para pular, brincar, voar, matar, morrer e até ser Deus.

Poesia pra quê?
Escrever pra quê?
Para legar, eternizar, legar, justificar ou tentar
Escrever pra lembrar
Escrever pra esquecer.


(...) ... (...) ... (...) ...

O João é um amigo de longa data, conterrâneo de Nova Era. Na nossa adolescência, sempre conversávamos sobre poesia e literatura. Quando eu vim para BH acabou que gente perdeu o contato e tinha uns oito anos que não o via. A internet promoveu o nosso reencontro e depois de tanto tempo foi ótimo saber que tudo aquilo que a gente sonhava (lançar livros, viver de literatura) de certa forma aconteceu.
Tudo bem, eu ainda não vivo de literatura. Nem ele. Mas a gente trocou livros: ele ficou com O menino revirado, infantil que lancei no ano passado, e eu fiquei com Cavalo Livre de Tróia, livro de poesias que ele também lançou em 2007.

Eu sei que na nossa vida muitos lançamentos ainda irão acontecer!

Quem quiser conhecer o trabalho dele, segue a dica: http://lenjob.blogspot.com/

quinta-feira, 10 de julho de 2008

AUTOR CONVIDADO - ARAGÃO


Poesia pra quê?
por José Carlos Aragão

Eu, na verdade, nunca soube exatamente pra quê.

Só sei que, se Rilke me perguntasse se eu viveria sem ela (como o fez ao ao jovem poeta que lhe escrevera), eu não hesitaria em responder que não.

Encontro conforto, nessas horas de angústia e dúvida, em outros poetas que escreveram sobre a poesia e sua utilidade. Entre eles, Manoel de Barros ("a poesia é antes de tudo um inutensílio"; e Quintana ("a poesia é a invenção da verdade").Mas é bom ouvir também o que dizem Gullar, Drummond e os heterônimos de Pessoa.

E não há como não recomendar também a leitura de Nasce o poema, o último poema do livro Barulhos, de Ferreira Gullar, pra se tentar entender a angústia do poeta diante da poesia em gestação. Talvez o poema não explique pra que serve o poema ou a poesia, mas se a palavra te toca é que pra alguma coisa serviu - sabe-se lá pra quê!...


(...) ... (...) ...

Eu resolvi conversar com outros autores sobre a necessidade da poesia, para o poeta e para os leitores.

Quem estréia essa coluna (se é que se pode chamar assim) é o José Carlos Aragão, um grande escritor amigo meu, aqui de Belo Horizonte.

Mestre das letras, ele é jornalista, escritor, dramaturgo e artista plástico. Tem quase 20 livros publicados: de poesia e contos, para adultos; e de literatura e teatro, para crianças e jovens. Conquistou vários prêmios literários e seus livros encantam adultos e crianças. Vale a pena ler: 'Girafa não serve pra nada', 'O menino que engoliu o quatro' e todos os outros livros dele.

O Aragão ainda me presenteou com uma seleção de textos de poetas famosos sobre a poesia e o fazer poético, que vou publicar aqui aos poucos. Para quem quer saber mais sobre o trabalho dele, é só entrar nos blogs:
aragaoescritor.blogspot.com
aragaohumor.blogspot.com

sábado, 7 de junho de 2008


Frio na barriga, emoção, falta de ar, suspiro, surpresa, vontade de rir ou chorar, desespero, ânsia, saudades, esperança.
Poesia é como um parque de diversões. Provoca tudo isso e muito mais.
Talvez por isso o blog tenha recebido o apelido carinhoso de praque, um trocadilho pertinente de parque.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Dois e Dois são Quatro

Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena
.......
Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena
.......
como é azul o oceano
e a lagoa, serena
.......
como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
.......
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena.......
- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
.......
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena.
Ferreira Gullar

Esta poesia de Ferreira Gullar me lembra o famoso verso de Fernando Pessoa: tudo vale a pena, quando a alma não é pequena. E me faz querer seguir em frente. Sempre.

Poesia pra quê?
Para nos dar um impulso e nos fazer seguir adiante.