terça-feira, 14 de abril de 2009

ODE

Liberdade enche o peito de luzes e delírio
como um rosto corado de vontade

Felicidade pinta o céu de azul e laranja
como um gosto apertado de saudade

Amizade cobre os braços de aconchego e surpresa
como um gesto inesperado em fim de tarde

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Não sei se consigo andar só.
Somente sinto que não sou suficiente
e inconscientemente,
te chamo.
E te espero,
mesmo que chegues no frio.

domingo, 15 de março de 2009

Lançamento Cadernos de Dramaturgia



Na quarta feira, dia 18, serão lançados os Cadernos de Dramaturgia do Galpão Cine Horto, com os textos de todos os oficiniões e ensaios sobre o processo criativo dos mesmos. Eu assino um dos ensaios, do espetáculo "Por toda a minha vida", do qual fui uma das dramaturgas. Para fazer o ensaio tive que voltar ao universo melodramático e reviver um pouco o processo de criação do espetáculo, que foi colaborativo. E me lembrei daqueles anos de convivência no núcleo de dramaturgia do Grupo Galpão. Dias de discussões, estudos e criações riquíssimas. Me deu saudades daquela época e alegria por saber que vou encontrar todo mundo (senão todos pelo menos uma grande parte) no dia 18.
E vocês, meus queridos, também são meus convidados. :)

terça-feira, 10 de março de 2009

SENTIMENTAL

Que tal ser tanto
e se sentir inteiro
Que tal ser muito
e se sentir total

Tal qual na sede
se entregar inteiro
à chuva fria
e nada acidental

Tão grande quanto
as flores de um cheiro
Tão fino quanto
o fio de um punhal

Quão raro o caro
gosto de um seio
Qual alimento
ou sustento carnal

Tal qual em vários
se partir ao meio
Sentir na pele
todo o bem e mal

Quão certo o canto
vindo de outros cantos
Pinçar na música
o sabor do sinal

Tal qual na testa
dizer a que veio
Soltar da alma
odores de sal

Qual claro a luz
de olhar estrangeiro
Enxergar cenários
por trás d’umbral

Quão forte o ato
de pedir arreio
Abrir-se aos mundos
Se doar total

Que tal ser meu
e se sentir completo?
Que tal em mim
sentir o tão e o tao?

Amor, não mente
o que existe entre a gente.
Se você arrepia comigo, que tal?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

EXPLICAÇÃO

como explicar
os olhos brilhantes e as tardes
ensolaradas
como explicar
o peito arfante e a falta
de ar
como explicar
o caminhar relutante e o coração
disparado

?

o nascer do sol, o surgimento das crianças,
o nascimento das estrelas, o câncer, a espuma, o sabor
inesperado,
a agilidade dos invertebrados, as vísceras abertas,
o tiro
perdido,
o início de tudo, o saber do mudo,
a involução da espécie, a revolução dos costumes,
o renascimento diário, a transformação das borboletas, o tilintar do vento,
o zelo acumulado,
os acidentes evitáveis, as negligências inelutáveis, a natureza enraivecida,
o afeto aparente, a vontade acorrentada

você dentro de mim

como explicar?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

MALDIÇÃO









Gato preto no canto da rua
lambe a face escondida
da lua
CHEIA
in poça d’água
si nua
CHEIRA
Ai quem me dera
se a sorte escolhida
fosse a sua
QUEIRA

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

CARACTERIZAÇÃO

Meu caro,
você me conquistou
pelo seu caráter.
Embora sua cara
provoque em mim
uma tara.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

FLORAL

Nesse dia eu também usei branco
mas as flores não estavam na mão.
Vieram estampadas na roupa e na alma.

O sim que nós dois concordamos
sussurrou no ouvido de ambos
desejos opostos.

Nosso destino já não dorme mais sob o mesmo céu.

Mas a estrela que brilha pra mim
não é a mesma que ilumina sua rua.

Talvez por isso eu nunca tenha sido realmente sua.

domingo, 25 de janeiro de 2009

REFERENCIAL

Vontade de amor novo.
Não pra amordaçar os laços.
E sim amortecer os passos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

QUINTAL









O orvalho na grama
evapora desejos
caídos

Pássaros pescam
em árvores
frutas de cores

Cadeiras balançam
no espaço
sorrisos verdades

Prendedores no varal
beliscam
o movimento do ar

Aquarelas colorem
pensamentos
em tessituras de nuvens

Riscos no chão
pulam
tempos escassos

Brinquedos amontoam
em caixas
curiosidades abertas

Pés cheiram
arroubos de vento
na terra

O cão lambe
carinhos
na mão do menino

Na rede descansa a tensão de sua mãe

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

ORAÇÃO

Senhor,
me deixa aceitar todo dia como um presente
e viver o momento inteiro de cada instante

.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

EXCLUSÃO

Risco o
S
e vira rico
Risco o
C
e vira riso




INCLUSÃO

A+B
Rabisco

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

MATERNAL














Não
.
Não
Vivo
Em
Vão
.
Sou
Mais
Sou
Tão
Sou
Tao
Sou
Tom
.
Sou
Mãe

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

LIBERTAÇÃO

Minha alma é livre,
comum verso branco de Mallarmé.

Não se prende em vôos que não são seus
asa em surdina mensageira.

Agora é hora:
lançar-me em novos
alçar desconhecidos
adejar no espaço.

Bem-vinda
eu ao
que
me
é
devido.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

CONSPIRAÇÃO

O que me inspira
às vezes me
pira.
Cospem-me fogo
coisas que aqui constam.
Essas que por
si só
São.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

TEMPORAL

O sol surgente seca os trêmulos fios de luz caídos na nesga negra molhada da noite.
O fulgor da pulcritude arremessa sentimentos contra o tempo, lamentos que não dormem à espera de açoite.
Existem balões no céu, aos montes. Desejos alguns, talvez esperanças. Solicitações e memórias caducam milagres em pontas de foices.
Tão logo se chocam provocam tempestade forte e breve. O temporal leva a alma e lava o que já não era.
A calma volta intacta, como depois de um coice.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

PLURAL

A lesma desenha
no asfalto quente
um rastro redondo, cintilante, fulgural.

A fumaça borda
no céu ausente
um lastro plúmbeo, instigante, chemical.

As janelas acendem
no edifício dormente
um mastro indefinido, mutante, referencial.

Em todos os cantos a poesia da cidade me grita.
Sua forma é presente.
Sua norma, plural.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

NINGUÉM SABE, NINGUÉM

Atendendo a pedidos, estou postando novamente uma das minhas músicas aqui, a minha primeira composição. Dessa vez, vem acompanhada da letra, para se ler enquanto se escuta... A gravação é muito antiga e não dá para escutar direito, mas pelo menos agora dá para entender tudinho...




A rua a buzina o pó a fumaça a sujeira a dó carros vão e vêem pessoas vão e vêem
Os meninos sujos a cola pulmões pulsam miséria braços e pernas braços sem pernas
esmola

Tetos alças e alçapões concreto asfalto multidões muito pra iludir tanto que mentir algo a se sentir
louco

Metrópoles atropelam a mente
E ninguém sabe
Ninguém

sábado, 18 de outubro de 2008

AUTORA CONVIDADA - PAULA CAJATY


Poesia pra quê?
Paula Cajaty

Poesia para encontrar,
para ouvir, para afundar.
Poesia quando nada mais há
e sobra apenas um fio
de razão para agarrar.
Poesia quando se quer dormir
mas não se acha lugar.
Poesia feito cachaça
bom para tomar no frio
bom para esquecer o fastio
bom para quem se dá.
Poesia feito música
e tocar fundo
e encher o peito
de silêncios
desses sons do mundo
que não páram de tocar.
Poesia feita de palavra
que paira no ar, arteira
quer sair, fugir pela fresta
na beira da fantasia
quer virar verdade
e de algum jeito, qualquer um,
mesmo feito tosca miragem,
existir como a gente.

Eu não faço poesia, Sofia,
é ela quem me faz.

(...) ... (...)

Conheci a Paula pela internet, quando comecei a fazer esse blog. Ela também tem um site dedicado à literatura e à poesia, que já foi referenciado pela Agência Riff e pelos escritores e poetas Marcelo Moutinho, Fernando Molica e Márcio-André.Com um jeito de escrever que me emociona sempre, Paula escreve desde que amou pela primeira vez, como revela na apresentação do seu primeiro livro publicado em setembro pela 7Letras, "Afrodite In Verso". Advogada por formação acadêmica, ela sempre encontrou na literatura um caminho para alcançar seus próprios sonhos e prazeres. Em seus projetos para o futuro, estão a realização de ciclos de palestras com temas voltados para o universo feminino e a exploração de outros formatos literários, como o conto e o romance.

Obrigada Paula, pela linda contribuição!Como você disse no seu site, que alcance sempre o sucesso a literatura de gente que acredita na 'poesia do encontro'.

sábado, 11 de outubro de 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

INSPIRAÇÃO

Brota de dentro
vem com o vento
bate e rebate tantas quantas precisas vezes
em busca de um arremate
palavra solta frase feita
fruto de bruta imagem
linhagem perfeita
lista diária montada sem régua
luta diária travada sem trégua
pista diária seguida sem regra
fato contrário arbitrário extra-ordinário
supra-ordinário superordinário
tanto faz
faz de conta pronto para entrar em cartaz
dado concreto nada discreto secreto
requinte sonhado administrado
requinte proposto administrável
ferimento imposto íntimo e secular
intervenção divina providencial não habitual
hábito louco realismo tosco reinventado
idade desconstruída já pré-estabelecida
cidade situada sitiada
sítios arqueológicos revisitados
invenção pura dura realidade insegura
sofrimento acentuado em busca de cura
tormento tolerado reconfigurado
construção invadida inacabada
rito perdido mito desfigurado
cisco revisto atrapalhando a vista
revista aberta de consultórios odontológicos
lógica criada atormentada combinada.


Assobio interno que grita e pulsa
expulsa e apita o que está regurgitado.



A vida não precisa de explicação.
Só de inspiração.
E de algum mal-estar de vez em quando enquanto se devolvem às coisas o seu lugar.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

TUDO VAI FICAR MAIS VERDE






No dia 23 de setembro, foi plantada a 'árvore fundamental' do Canal Verde. Já falei sobre ele aqui antes e vocês sabem o quanto esse projeto é importante pra mim. Não só para mim, também para o planeta e para a preservação da vida e do verde.
O bom é que agora esse canal está no ar, à disposição de todo mundo: www.canalverde.tv.br.
E o legal é ver o envolvimento de pessoas tão bacanas e queridas, pessoas que acreditam em um ideal e sabem que a construção de um mundo melhor depende de cada um de nós.
No site vocês poderão conferir alguns roteiros meus, como o programa 'Priscila no país das Maravilhas', apresentado por Priscila Fantin, que,aliás, é uma pessoa especial e super profissional. Acessem!

OPOSIÇÃO

Onde eu me perco é que me acho
Onde eu me acabo é que começo
Onde tropeço é que eu não caio
De onde eu saio não entro
Quando erro é que eu acerto
O que está longe eu faço perto
Quando me prendem, faço-me vento
Eu faço muito em pouco tempo
O que não suporto eu agüento

Enquanto estou triste, contento


CONTINUAÇÃO

Tudo o que gosto, deixo livre
O que eu rego, sobrevive
Sobre a vida, ando solta
O que desejo, vem de volta
À minha volta, planto cores
Se colho dores, coloro pausas

(continuar é preciso)

Enquanto estou triste, contento
Contudo, meu riso é mudo
Mudo de humor como de roupa
E deixo livre tudo o que gosto


(...) ... (...) ... (...)

Há tempos venho querendo postar coisas novas aqui, mas tenho andado muito sem tempo ultimamente, envolvida em trabalhos e coisas afins...
Mas como tenho um monte de poesias em meus arquivos, vou postando-as uma por uma aqui, aos poucos. Afinal, o que é velho para mim é novo para muitos de vocês. Na verdade essas duas nem são tão antigas assim, fiz no ano passado.

E elas vão especialmente para a Bel ;-)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

SITUAÇÃO densa e intensa
propensa a virar
poema

SITUAÇÃO típica e crítica
propícia a virar
cinema

SITUAÇÃO difícil e imposta
disposta a virar
dilema

sábado, 13 de setembro de 2008

DESCREVENDO-ME

Passo a vida a limpo.
Com o lápis na mão,
me defino numa folha nova de papel branco.
Palavras foram feitas para serem lidas,
ou ditas.
Minhas palavras são desabafos,
terapeutas incondicionais,
alimento.
Vou escrevendo e me descrevendo,
e me desfazendo do medo e das máscaras.
Crio minha imagem e recrio minha vida.
Interpreto minha peça,
sem nexo.
Analiso personagens,
desconectos.
Fantasio emoções,
e o sexo.

Crio um amor,
complexo.
Descrevo o amante,
completo.
Sinto seu toque,
por perto.


Se o mundo é noite escura,
pinto-o de cor-de-rosa,
e vivo meu conto de fadas,
escrito em forma de prosa.


(...) ... (...) ... (...)

essa é antiga, talvez mais de dez anos. outro dia uma amiga estava perguntando se eu escrevia para desabafar. acho que algumas vezes sim, mas talvez isso poderia ser mais notado no início, como nessa poesia. agora nem tanto. de certa forma tento estar mais ligada ao verso, à palavra, à metalinguagem. venho tentando descontruir a mim mesma.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

MUSICAL



A música vive dentro de mim.
Meu coração pulsa ritmado.
Meus passos seguem um compasso.
Meu rádio relógio cerebral me acorda
todo dia da mesma forma melódica assim.

Minha voz não alcança notas altas e desafina
desafiando minha íntima vocação de diva cantora.
Não choro por isso.
Por mim cantam meus escolhidos.
Só faço coro.

Libélulas flamejantes batem
asas em minhas células internas e externas
que voam num ritmo alucinantemente exótico.
Só meu.

Quem quiser que me acompanhe.
Ou me arranhe.

sábado, 6 de setembro de 2008

Mãe coruja


Ele não joga lixo no chão.
Ele fecha a torneira ao escovar os dentes.
Ele é carinhoso.
Ele levanta da cadeira para eu poder sentar, se não tiver outro lugar disponível.
Ele gosta de dar presentes e de mandar flores.
Ele está cada dia mais lindo.
Ele me beija quando estou triste.

Os filhos são o que nos redime no mundo.

É pelo João que eu acordo todos os dias e me inspiro e me alegro e me animo.

Pra ele escrevi O menino revirado.
Pra ele escreverei muito mais e lutarei todos os dias. Sempre.

Cada dia que passa eu me orgulho mais dele. Por estar se tornando o menino maravilhoso que é. O meu menino revirado.

No dia 31 foi aniversário dele. 31 de agosto.
No mês em que algumas pessoas apontam desgostos e azar, eu só tive motivos para comemorar.
Dia 02 nasceu meu pai, dia 10 minha mãe. No dia 28 tia Lau. No dia 31 o João.
Pais, amigos queridos, filho.
De onde eu vim e para onde eu vou. Tudo junto no mês de agosto.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

ADIÇÃO

Eu sou tão você é tao.
Sou cão, você pardal.
Sou algodão, você temporal.
Sou tesão, você sentimental.

Prefiro a paixão, você é casal.
Sou intensa, você transcendental.
Sou pimenta, você sem sal.
Sou da paz, você irracional.

Me visto de pavão, você usa o habitual.
Gosto de cores, você tom sobre tom.
Espero flores, você acha banal.
Combino coisas, você é anormal.

Finco os pés no chão, você vive no céu.
Sou razão, você emocional.
Sou do bem, você não me faz mal.
Sou sem sentido, você sensacional.

Dou testada e sou aprovada, você é experimental.
Prefiro a cidade, você arraial.
Vivo no caos, você é pontual.
Você é um só, eu sou plural.

Eu sou tao você é tão.
Se a gente inverte a posição de quando em vez,
a ordem dos fatores nunca altera o resultado do produto.
O total é sempre dez.

(...) ... (...) ... (...)

às vezes as somas não soam assim tão redondas , então é preciso cortar as arestas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

OPÇÃO


( ) De repente a fagulha se acende
quando você está no meio da ponte.
A opção é voltar para trás.
Atravessar um rio de águas turvas
não se faz em um único instante.
E a qualquer hora a bomba
inclusa em seu coração se explode.

( ) De repente a fagulha se acende
quando você está no meio da ponte.
A opção é se jogar na corrente.
Atravessar um rio de águas caudalosas,
ainda que claras, não é coisa assim tão distante.
Cuidado: a vida é pura dinamite.

( ) De repente a fagulha se acende
quando você está no meio da ponte.
A opção é seguir adiante.
Atravesse o rio em disparate.
A correnteza pode te levar,
se a dinamite se explode.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

ANORMAL

Não me interessa o que é reto, resto,
certo, confesso.
Mas o que escapa do dia-a-dia fugidio.
As vicissitudes da vida.
Embora eu teime com meu tema atemático
matemático,
caleidoscópio ambulante que calcula a visão,
cópia caudalosa de meus cabelos ao vento,
foto impregnada de íntima memória.
A normalidade enfraquece o que está por vir,
e a poesia quer-se quente.
Jogo lenha na fogueira, mas não qualquer uma:
combustível fóssil, óleos que não viram tudo,
e, sobretudo, agora e sempre,
a pureza ainda não extraditada de seu estado virgem,
e o primitivismo não contaminado pela vontade da normalidade.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

CAMINHÃO



Não ando sozinho.
No caminho
levo os passos
dos meus pais,
do meu filho,
ancestrais.
Não importa a forma de locomoção.
Se é reta, curva,
Et cetera e tal.
Sigo os traços que aprendi,
normal ou anormal.
Posso mudar o destino,
encurtar as retas,
destoar as metas,
duvidar do prumo,
parecer sem rumo.
Há sempre que chegar
a algum lugar.
Na bagagem,
tanta bobagem
em compartimento especial.
Mas caminhão de mudança
apenas suporta esperança.
Nasço descalço
e no caminho, quantos percalços,
eu nunca chego ao fim.
Na maioria das vezes eu me perco de mim.


O caminho não é curto pra ninguém.
Ele é grande. É gigante.
Tal qual o mundo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

AUTOR CONVIDADO - JOÃO LENJOB


Poesia Pra Quê?
João Lenjob

Poesia pra quê?
Para parar no papel o amor que não tem fim
Para parar um pouco com a vida que continua, ou não,
Para deixar lágrimas que não molham ao escrever
(não borram, não embaçam, nem mancham);
Sobretudo poder molhar os olhos de quem lê.

Poesia pra quê?
Para expressar um sorriso que não tem dono (ou terá; será?)
Poesia para juntar forças ou talvez separá-las
Para montar um quebra-cabeça ou desmontá-lo
(ou apreciar ou ficar com preguiça até de olhar)
Para pular, brincar, voar, matar, morrer e até ser Deus.

Poesia pra quê?
Escrever pra quê?
Para legar, eternizar, legar, justificar ou tentar
Escrever pra lembrar
Escrever pra esquecer.


(...) ... (...) ... (...) ...

O João é um amigo de longa data, conterrâneo de Nova Era. Na nossa adolescência, sempre conversávamos sobre poesia e literatura. Quando eu vim para BH acabou que gente perdeu o contato e tinha uns oito anos que não o via. A internet promoveu o nosso reencontro e depois de tanto tempo foi ótimo saber que tudo aquilo que a gente sonhava (lançar livros, viver de literatura) de certa forma aconteceu.
Tudo bem, eu ainda não vivo de literatura. Nem ele. Mas a gente trocou livros: ele ficou com O menino revirado, infantil que lancei no ano passado, e eu fiquei com Cavalo Livre de Tróia, livro de poesias que ele também lançou em 2007.

Eu sei que na nossa vida muitos lançamentos ainda irão acontecer!

Quem quiser conhecer o trabalho dele, segue a dica: http://lenjob.blogspot.com/