É você e eu
É você e sou eu
É você em mim
Sou eu em você
Em você sou eu
Sou eu e sou você
Somos nós em mim
É você sou eu em mim
Em mim é você
É você e sou eu
Somos nós em um
Somos você e eu
Somos dois em nós
Somos nós você e eu
Em você somos eu
Somos você em mim
Somos nós e não estamos sós
Somos eu e você em nós
Em nós somos um
É você sou eu sou nós
Em mim sou você
Sou você sou eu sou sim
Somos nós você e eu
E ninguém desata esse nós de afins
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2009
AQUARELÁVEL
Tira o batom da minha boca
Muda o tom da minha face
Cora minha pele
Testa todas as variações
Rubro vermelho fogo furto paixão
Inventa uma combinação arranjada
Combina seu jeito com o meu
Apimenta uma cor extra de sal
Decora meu corpo inteiro
De mimos, adereços, segredos
Faz de mim seu endereço
Na morada nova um ateliê seu
Experimenta sua arte em mim
A tela em branco sou eu
Muda o tom da minha face
Cora minha pele
Testa todas as variações
Rubro vermelho fogo furto paixão
Inventa uma combinação arranjada
Combina seu jeito com o meu
Apimenta uma cor extra de sal
Decora meu corpo inteiro
De mimos, adereços, segredos
Faz de mim seu endereço
Na morada nova um ateliê seu
Experimenta sua arte em mim
A tela em branco sou eu
terça-feira, 14 de julho de 2009
VÃO
Pelo vão incoberto de sua aura
é possível perceber
o que se passa por fora do campo
imagético de sua visão.
Sentimentos loucos, devaneios muitos,
arestas cortadas que se querem inteiras.
Deixe entrar o que lhe basta.
O que espoca em seu coração.
O que causa furor na alma
e arrepios na auréola.
O que lhe escapa não lhe serve.
Deixe-se ir.
Pelo sim,
pelo não,
existem os que ficam,
e os que se vão.
...
esse blog não é um diário virtual, as poesias que posto aqui, nem sempre têm a ver com o meu estado de espírito. aliás, na maioria das vezes, não têm.
mas essa aqui estava martelando na minha cabeça desde ontem, então vale a repetição (ela já foi publicada há um tempo atrás).
é possível perceber
o que se passa por fora do campo
imagético de sua visão.
Sentimentos loucos, devaneios muitos,
arestas cortadas que se querem inteiras.
Deixe entrar o que lhe basta.
O que espoca em seu coração.
O que causa furor na alma
e arrepios na auréola.
O que lhe escapa não lhe serve.
Deixe-se ir.
Pelo sim,
pelo não,
existem os que ficam,
e os que se vão.
...
esse blog não é um diário virtual, as poesias que posto aqui, nem sempre têm a ver com o meu estado de espírito. aliás, na maioria das vezes, não têm.
mas essa aqui estava martelando na minha cabeça desde ontem, então vale a repetição (ela já foi publicada há um tempo atrás).
sexta-feira, 3 de julho de 2009
LUGAR QUALQUER
Na
veia
ainda
pulsa
como antes
adormecido outrora apenas
No
seio
ainda
pesam
disparates
envaidecidos embora menos
No
leito
ainda
futuro espera
aonde
aqui
ali
tanto faz
Você já veio.
Agora eu vou.
veia
ainda
pulsa
como antes
adormecido outrora apenas
No
seio
ainda
pesam
disparates
envaidecidos embora menos
No
leito
ainda
futuro espera
aonde
aqui
ali
tanto faz
Você já veio.
Agora eu vou.
ENTÃO
então estamos entregues
entoando inebriados enigmas
enaltecedores embriagados
em entrelugares entediantes
então encurtamos espaços
endiabrando enlaces embolorados
encolhe-dores esfuziantes
em encobertas entrelinhas
então encaixamos enxadas
esperando encontrar entrudo
entanto entrecortamos entulho
entusiásticos entrantes em tantos
então enveredamos em entrevero
embaralhados esbregues
enunciando entalhes entocados
entremetidos em engodo
então engrandecemos enxurro
enganando engenharias engorduradas
entardece enquanto entrevemos
entrepostos enlameados esbarram
em tão prontos estamos
para sermos tanto em tudo
entoando inebriados enigmas
enaltecedores embriagados
em entrelugares entediantes
então encurtamos espaços
endiabrando enlaces embolorados
encolhe-dores esfuziantes
em encobertas entrelinhas
então encaixamos enxadas
esperando encontrar entrudo
entanto entrecortamos entulho
entusiásticos entrantes em tantos
então enveredamos em entrevero
embaralhados esbregues
enunciando entalhes entocados
entremetidos em engodo
então engrandecemos enxurro
enganando engenharias engorduradas
entardece enquanto entrevemos
entrepostos enlameados esbarram
em tão prontos estamos
para sermos tanto em tudo
quarta-feira, 3 de junho de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
...
quero a leveza
quero o doce na boca
cosquinha na alma e brilho incontido
quero a pureza do primeiro encontro
sorriso nos olhos e novidade exalando no andar
quero peito aberto
apostar no incerto e viver tudo aquilo que ainda
não sei se já vi
quero etecéteras
porque daqui a pouco,
eu sei,
você vai estar aqui
quero o doce na boca
cosquinha na alma e brilho incontido
quero a pureza do primeiro encontro
sorriso nos olhos e novidade exalando no andar
quero peito aberto
apostar no incerto e viver tudo aquilo que ainda
não sei se já vi
quero etecéteras
porque daqui a pouco,
eu sei,
você vai estar aqui
sábado, 23 de maio de 2009
FOI-SE
Foi forte e relevante
Foi difuso e inconstante
Foi tudo, tanto, todo a todo instante
No que começou se perdeu
O que atraiu repulsou
Encontro e desencontro em
tempo real dissonante
E agora?
Viver isso em nome de quem?
Buscar mais em razão de quê?
Dores não sinto, nem quero
Cores eu vejo, não minto
Mas coisas, não mais pressinto
Nem é tudo tão azul quanto
era antigamente
O que der e vier
Se vier se preciso for
Talvez não venha
e se contente
no que já deixou de
ser
sem nunca ter realmente
(s) ido.
Foi difuso e inconstante
Foi tudo, tanto, todo a todo instante
No que começou se perdeu
O que atraiu repulsou
Encontro e desencontro em
tempo real dissonante
E agora?
Viver isso em nome de quem?
Buscar mais em razão de quê?
Dores não sinto, nem quero
Cores eu vejo, não minto
Mas coisas, não mais pressinto
Nem é tudo tão azul quanto
era antigamente
O que der e vier
Se vier se preciso for
Talvez não venha
e se contente
no que já deixou de
ser
sem nunca ter realmente
(s) ido.
domingo, 26 de abril de 2009
RESSURREIÇÃO
pronto. agora estou em paz.
meus fantasmas não me assombram mais.
o que passou ficou para trás.
meus fantasmas não me assombram mais.
o que passou ficou para trás.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
PENETRAÇÃO
Adentro nas entranhas da linguagem.
Aqui dentro é território quente e úmido
vermelho fogo furto paixão.
Entrar e sair não dá.
Entrego-me total
em recônditos plurívocos.
Desprendo-me do medo
dominante cintilante,
lá fora fica com discursos
gastos pelo uso.
Combinações de arranjos
e signos inextricáveis
perfilam e engendram minha alma mucosa e desavergonhada.
Nada ensaiado. Pré-concebido, nada.
Descobertas me vêm em chofre e em choque
culminam no cheque-mate:
efervescências de relâmpagos verbais
engravidam o papel em branco
num gozo supremo do inútil.
Forma única de eternização da vida/arte.
Aqui dentro é território quente e úmido
vermelho fogo furto paixão.
Entrar e sair não dá.
Entrego-me total
em recônditos plurívocos.
Desprendo-me do medo
dominante cintilante,
lá fora fica com discursos
gastos pelo uso.
Combinações de arranjos
e signos inextricáveis
perfilam e engendram minha alma mucosa e desavergonhada.
Nada ensaiado. Pré-concebido, nada.
Descobertas me vêm em chofre e em choque
culminam no cheque-mate:
efervescências de relâmpagos verbais
engravidam o papel em branco
num gozo supremo do inútil.
Forma única de eternização da vida/arte.
terça-feira, 14 de abril de 2009
ODE
Liberdade enche o peito de luzes e delírio
como um rosto corado de vontade
Felicidade pinta o céu de azul e laranja
como um gosto apertado de saudade
Amizade cobre os braços de aconchego e surpresa
como um gesto inesperado em fim de tarde
como um rosto corado de vontade
Felicidade pinta o céu de azul e laranja
como um gosto apertado de saudade
Amizade cobre os braços de aconchego e surpresa
como um gesto inesperado em fim de tarde
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Não sei se consigo andar só.
Somente sinto que não sou suficiente
e inconscientemente,
te chamo.
E te espero,
mesmo que chegues no frio.
Somente sinto que não sou suficiente
e inconscientemente,
te chamo.
E te espero,
mesmo que chegues no frio.
domingo, 15 de março de 2009
Lançamento Cadernos de Dramaturgia

Na quarta feira, dia 18, serão lançados os Cadernos de Dramaturgia do Galpão Cine Horto, com os textos de todos os oficiniões e ensaios sobre o processo criativo dos mesmos. Eu assino um dos ensaios, do espetáculo "Por toda a minha vida", do qual fui uma das dramaturgas. Para fazer o ensaio tive que voltar ao universo melodramático e reviver um pouco o processo de criação do espetáculo, que foi colaborativo. E me lembrei daqueles anos de convivência no núcleo de dramaturgia do Grupo Galpão. Dias de discussões, estudos e criações riquíssimas. Me deu saudades daquela época e alegria por saber que vou encontrar todo mundo (senão todos pelo menos uma grande parte) no dia 18.
E vocês, meus queridos, também são meus convidados. :)
terça-feira, 10 de março de 2009
SENTIMENTAL
Que tal ser tanto
e se sentir inteiro
Que tal ser muito
e se sentir total
Tal qual na sede
se entregar inteiro
à chuva fria
e nada acidental
Tão grande quanto
as flores de um cheiro
Tão fino quanto
o fio de um punhal
Quão raro o caro
gosto de um seio
Qual alimento
ou sustento carnal
Tal qual em vários
se partir ao meio
Sentir na pele
todo o bem e mal
Quão certo o canto
vindo de outros cantos
Pinçar na música
o sabor do sinal
Tal qual na testa
dizer a que veio
Soltar da alma
odores de sal
Qual claro a luz
de olhar estrangeiro
Enxergar cenários
por trás d’umbral
Quão forte o ato
de pedir arreio
Abrir-se aos mundos
Se doar total
Que tal ser meu
e se sentir completo?
Que tal em mim
sentir o tão e o tao?
Sentir não mente
o que vem da mente.
Se você arrepia comigo, que tal?
e se sentir inteiro
Que tal ser muito
e se sentir total
Tal qual na sede
se entregar inteiro
à chuva fria
e nada acidental
Tão grande quanto
as flores de um cheiro
Tão fino quanto
o fio de um punhal
Quão raro o caro
gosto de um seio
Qual alimento
ou sustento carnal
Tal qual em vários
se partir ao meio
Sentir na pele
todo o bem e mal
Quão certo o canto
vindo de outros cantos
Pinçar na música
o sabor do sinal
Tal qual na testa
dizer a que veio
Soltar da alma
odores de sal
Qual claro a luz
de olhar estrangeiro
Enxergar cenários
por trás d’umbral
Quão forte o ato
de pedir arreio
Abrir-se aos mundos
Se doar total
Que tal ser meu
e se sentir completo?
Que tal em mim
sentir o tão e o tao?
Sentir não mente
o que vem da mente.
Se você arrepia comigo, que tal?
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
EXPLICAÇÃO
como explicar
os olhos brilhantes e as tardes
ensolaradas
como explicar
o peito arfante e a falta
de ar
como explicar
o caminhar relutante e o coração
disparado
?
o nascer do sol, o surgimento das crianças,
o nascimento das estrelas, o câncer, a espuma, o sabor
inesperado,
a agilidade dos invertebrados, as vísceras abertas,
o tiro
perdido,
o início de tudo, o saber do mudo,
a involução da espécie, a revolução dos costumes,
o renascimento diário, a transformação das borboletas, o tilintar do vento,
o zelo acumulado,
os acidentes evitáveis, as negligências inelutáveis, a natureza enraivecida,
o afeto aparente, a vontade acorrentada
você dentro de mim
como explicar?
os olhos brilhantes e as tardes
ensolaradas
como explicar
o peito arfante e a falta
de ar
como explicar
o caminhar relutante e o coração
disparado
?
o nascer do sol, o surgimento das crianças,
o nascimento das estrelas, o câncer, a espuma, o sabor
inesperado,
a agilidade dos invertebrados, as vísceras abertas,
o tiro
perdido,
o início de tudo, o saber do mudo,
a involução da espécie, a revolução dos costumes,
o renascimento diário, a transformação das borboletas, o tilintar do vento,
o zelo acumulado,
os acidentes evitáveis, as negligências inelutáveis, a natureza enraivecida,
o afeto aparente, a vontade acorrentada
você dentro de mim
como explicar?
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
MALDIÇÃO
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
FLORAL
Nesse dia eu também usei branco
mas as flores não estavam na mão.
Vieram estampadas na roupa e na alma.
O sim que nós dois concordamos
sussurrou no ouvido de ambos
desejos opostos.
Nosso destino já não dorme mais sob o mesmo céu.
Mas a estrela que brilha pra mim
não é a mesma que ilumina sua rua.
Talvez por isso eu nunca tenha sido realmente sua.
mas as flores não estavam na mão.
Vieram estampadas na roupa e na alma.
O sim que nós dois concordamos
sussurrou no ouvido de ambos
desejos opostos.
Nosso destino já não dorme mais sob o mesmo céu.
Mas a estrela que brilha pra mim
não é a mesma que ilumina sua rua.
Talvez por isso eu nunca tenha sido realmente sua.
domingo, 25 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
QUINTAL

O orvalho na grama
evapora desejos
caídos
Pássaros pescam
em árvores
frutas de cores
Cadeiras balançam
no espaço
sorrisos verdades
Prendedores no varal
beliscam
o movimento do ar
Aquarelas colorem
pensamentos
em tessituras de nuvens
Riscos no chão
pulam
tempos escassos
Brinquedos amontoam
em caixas
curiosidades abertas
Pés cheiram
arroubos de vento
na terra
O cão lambe
carinhos
na mão do menino
Na rede descansa a tensão de sua mãe
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
LIBERTAÇÃO
Minha alma é livre,
comum verso branco de Mallarmé.
Não se prende em vôos que não são seus
asa em surdina mensageira.
Agora é hora:
lançar-me em novos
alçar desconhecidos
adejar no espaço.
Bem-vinda
eu ao
que
me
é
devido.
comum verso branco de Mallarmé.
Não se prende em vôos que não são seus
asa em surdina mensageira.
Agora é hora:
lançar-me em novos
alçar desconhecidos
adejar no espaço.
Bem-vinda
eu ao
que
me
é
devido.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
CONSPIRAÇÃO
O que me inspira
às vezes me
pira.
Cospem-me fogo
coisas que aqui constam.
Essas que por
si só
São.
às vezes me
pira.
Cospem-me fogo
coisas que aqui constam.
Essas que por
si só
São.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
TEMPORAL
O sol surgente seca os trêmulos fios de luz caídos na nesga negra molhada da noite.
O fulgor da pulcritude arremessa sentimentos contra o tempo, lamentos que não dormem à espera de açoite.
Existem balões no céu, aos montes. Desejos alguns, talvez esperanças. Solicitações e memórias caducam milagres em pontas de foices.
Tão logo se chocam provocam tempestade forte e breve. O temporal leva a alma e lava o que já não era.
A calma volta intacta, como depois de um coice.
O fulgor da pulcritude arremessa sentimentos contra o tempo, lamentos que não dormem à espera de açoite.
Existem balões no céu, aos montes. Desejos alguns, talvez esperanças. Solicitações e memórias caducam milagres em pontas de foices.
Tão logo se chocam provocam tempestade forte e breve. O temporal leva a alma e lava o que já não era.
A calma volta intacta, como depois de um coice.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
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