sexta-feira, 6 de junho de 2008

De volta à poesia


Em 1999 sofri um grave acidente. Estava indo para João Monlevade e o carro capotou. Eu fui jogada para fora, tive traumatismo craniano, fiquei sem falar e sem andar por um tempo. Salvei-me por um milagre. E, contrariando a previsão dos médicos, recuperei-me com uma rapidez impressionante. Depois de 28 dias já estava de volta às aulas (cursava jornalismo na UFMG).

Morava apenas com meu irmão em BH e fazia tudo sozinha, pegava ônibus, ia para aulas à noite, ia para a oficina de dramaturgia no Grupo Galpão.

Depois disso, não sei o que aconteceu, mas fiquei um tempo sem escrever poesias... Talvez esperando as coisas voltarem ao lugar dentro da minha cabeça. Aí logo depois eu conheci o Paulo, meu ex-marido (tinha apenas dois meses do acidente e ainda estava um pouco vesga, hoje não tenho sequela nenhuma, graças a Deus), fiquei noiva, engravidei, juntei, formei, comecei a correr atrás do pão de cada dia... E a poesia foi ficando pra depois.

Quando João nasceu, comecei a escrever para crianças. Escrevi "O Menino Revirado", "De Grumete a Saci todo mundo passou por aqui", "A Coroação de um pé de chinelo". Tudo isso em 2002. Então fui correr atrás de editoras e vieram as constantes negativas. Desisti por um tempo, atropelada pela correria do dia-a-dia, e parei de escrever de novo.

Na verdade, na verdade, nunca parei de escrever totalmente, porque a escrita faz parte do meu trabalho e acaba sendo o início e o fim de tudo. Mas dei um tempo naquilo que brotava de dentro de mim. Enquanto isso fui criando um senso crítico exagerado, uma auto-crítica feroz, e passei a não gostar até mesmo das coisas que tinha escrito antes de 1999.

Até que, no ano passado, lancei o livro "O Menino Revirado" e isso me deu um novo gás. Comecei a deixar as coisas fluírem e elas voltaram com força total. Aliás, Total é o nome do novo livro de poesias que estou acabando de escrever. Depois vou postar algumas aqui, e também algumas que escrevi antes do acidente.

As poesias são como bolhas de sabão num dia de inverno. Você dá o sopro inicial e elas voam contra o vento, revelando luzes e coisas que ninguém nunca imaginou existir.

5 comentários:

Izabella disse...

Oi Sofia! Ficou muito lindo o seu blog!!! E as poesias estão mais lindas ainda!
Parabens!!!! Vou falar pra todos os meus amigos vistarem...
Bjus, amo vc!
bella

Sofia Fada disse...

Querida, que bom que você gostou.
tb te amo
bjs

ingrid kurtz disse...

Parabéns! visitei seu blog , está muto bonito!
Sua história é comovente, é um exemplo de esforço , de luta ,de conquistas...
Te desejo sucessos e muitas realizações.

Sofia Fada disse...

Obrigada Ingrid. Volte por aqui sempre que quiser.
bjs
Sofia

Rennan Mafra disse...

Soft,
mesmo não ao lado, no miudinho do cotidiano, me sinto presente em muito do que escreveu nesse texto.
Ler seu blog é como entrar dentro de mim.
Beijos,
Rennan.